Memory loss due to dementia. Senior woman losing parts of head feeling confused as symbol of decreased mind function.

Saiba como retardar ou mesmo prevenir o Alzheimer

Por Dr. André Ferreira
Neurologista

“O mais importante para nossa capacidade de viver bem é a combinação de processos mentais que chamamos de cognição ou conhecimento”. Essa combinação inclui a nossa capacidade de aprender coisas novas, intuição, julgamento, linguagem e memória. Ter uma mente clara e ativa em qualquer idade é importante, mas à medida que envelhecemos, pode significar a diferença entre a vida dependente e independente (Health Brain Iniatitive Road Mapa- CDC/USA).

Destacar um dia, 21 de setembro, para colocar atenção às medidas para prevenir e tratar o Alzheimer se faz cada vez mais necessário. Em 2019, estimava-se que existiam mais de 50 milhões de pessoas que viviam com demência em todo o mundo e acredita-se que este número vai aumentar para 152 milhões até 2050, de acordo com a ADI, Alzheimer Disease International.

O Relatório Mundial sobre Alzheimer 2020 lançado pela ADI, com base em uma pesquisa com quase 70 mil pessoas em 155 países, aborda as atitudes globais em relação à demência. Uma das principais conclusões dessa pesquisa mostra que 95% dos entrevistados acreditam que desenvolverão demência durante a vida. Por isso, a CEO da ADI, Paola Barbarino, destaca que “devemos romper o estigma e fazer com que as pessoas falem abertamente sobre demência para planejar bem, ter acesso a apoio e até participar da pesquisa”.

O relatório serve de alerta para medidas públicas que devem ser adotadas para garantir o Plano de Ação Global para Demências 2017 – 2025, aprovado pela Organização Mundical de Saúde e adotado por 194 países.

O termo demência deriva da raiz latina demens, que significa estar fora de si. A demência é uma síndrome que afeta a memória, outras habilidades cognitivas e comportamentos que interferem significativamente na capacidade de uma pessoa de manter suas atividades cotidianas.
O início dos sintomas começa gradualmente após anos de déficits neurocognitivos progressivos devido a vários fatores genéticos e ambientais. Os processos de declínio que resultam em demência são inicialmente indistinguíveis do envelhecimento cognitivo normal devido a um longo estágio pré-clínico e a existência de um estado intermediário conhecido como comprometimento cognitivo leve.

Demência também pode ser um nome coletivo para síndromes cerebrais progressivas que causam deterioração ao longo do tempo de uma variedade de diferentes funções cerebrais, como memória, pensamento, reconhecimento e linguagem, planejamento e personalidade. A doença de Alzheimer é responsável por 50-60% dos casos de demência.

A Doença de Alzheimer (DA) é um transtorno neurodegenerativo progressivo que se manifesta por deterioração cognitiva e da memória, comprometendo as atividades de vida diária e provocando alterações comportamentais.


Seu sintoma primário é a perda de memória recente, mas com a progressão, vão aparecendo outros sintomas como a perda de memória remota (ou seja, dos fatos mais antigos), bem como irritabilidade, falhas na linguagem, prejuízo na capacidade de se orientar no espaço e no tempo e nos casos mais graves, a perda da capacidade das tarefas cotidianas, resultando em completa dependência. A doença pode vir acompanhada também de depressão, ansiedade e apatia.

No entanto, embora a demência seja uma condição dependente do envelhecimento, não é uma parte normal, nem uma exacerbação do envelhecimento. Pesquisas em pessoas com 100 anos ou mais indicam que, mesmo nessa faixa etária, uma proporção considerável está livre de demência. Alguns estudos descobriram que a incidência de demência em idade específica pode ter diminuído nos últimos 20-30 anos, refletindo potencialmente uma melhora na educação e redução da carga cardiovascular. Assim, na demência, da mesma forma que no envelhecimento, pode haver mecanismos capazes de retardar ou mesmo prevenir o aparecimento da doença clínica*.

Mas então, o que podemos fazer para retardar ou mesmo prevenir o aparecimento da doença clínica? Estas são algumas possibilidades**:

Educação estimulação cognitiva: baixo nível educacional pode resultar em maior vulnerabilidade ao declínio cognitivo porque resulta em menos reserva cognitiva, o que permite às pessoas manterem a sua funcionalidade apesar do próprio envelhecimento cerebral e as patologias crônicas que podem afetar o cérebro. Manter o cérebro estimulado com novas atividades como tocar um instrumento, aprender uma nova língua, uma nova receita auxilia o cérebro nas formações de novas redes neurais e até modificação de redes já estabelecidas que auxiliam na reserva cognitiva.

Audição: A perda auditiva pode levar, sobretudo, nos pacientes com mais de 55 anos a uma isolamento social e depressão em com isto em um cérebro vulnerável (baixa reserva cognitiva) a uma aceleração da atrofia encefálica com maior risco de declínio cognitivo.

Exercícios físicos: Vários estudos prospectivos mostraram que atividade física possui efeito protetor significativo contra o declínio cognitivo, sendo que os mais altos níveis de exercício são os mais protetores. A American Heart Association agora recomenda 30 minutos de exercícios moderados cinco dias por semana.

Isolamento social: Crescem as evidências de que isolamento social é um fator de risco para demência e aumenta o risco de hipertensão, doença coronariana, doença e depressão. O isolamento social também pode resultam em inatividade cognitiva, que está ligada a declínio cognitivo e baixo humor.

Alimentação Saudável: Uma boa nutrição pode ajudar sua mente e também seu corpo. Por exemplo, pessoas que comem uma dieta de estilo mediterrâneo que enfatiza frutas, vegetais, peixes, nozes, óleos insaturados (azeite de oliva) e fontes vegetais de proteínas têm menos probabilidade de desenvolver deficiência cognitiva e demência.

Proteja o crânio contra traumas: Estudos confirmam que traumatismos cranianos moderados a severos podem levar a perdas cognitivas

Cuide do seu bem estar psíquico: É biologicamente plausível que os transtornos do Humor e de Ansiedade possam levar a perdas cognitivas. Estas situações levam a aumento da secreção de cortisol e adrenalina que favorecem a doença neurovascular. A prescrição de antidepressivos cresceu de forma exponencial nas últimas três décadas. Alguns estudos em animais mostram que alguns antidepressivos poderiam diminuir a produção de produtos amilóides que estão relacionados à demência.

Não fumar: O hábito de fumar está associado à deficiência cognitiva. Esta associação pode ser devida à ligação entre fumar e patologia cardiovascular, mas a fumaça do cigarro também contém neurotoxinas, que aumentam o risco.

Obesidade: Obesidade está ligada a pré-diabetes e síndrome metabólica, que é caracterizada por resistência à insulina e alta concentrações de insulina periférica. As anomalias da liberação de insulina podem causar em teoria uma diminuição na insulina do cérebro o que pode levar a uma menor depuração de amilóides que estão relacionadas à patologia de algumas demências.

Tratamento da HAS, Diabetes Mellitus e Dislipidemia:
Melhore sua pressão arterial. A hipertensão na meia-idade aumenta o risco de declínio cognitivo na velhice. Use a modificação do estilo de vida para manter a pressão o mais baixa possível.


Melhore o seu açúcar no sangue: O diabetes é um importante fator de risco para demência. Você pode ajudar a prevenir o diabetes comendo bem, praticando exercícios regularmente e mantendo-se magro. Mas se o açúcar no sangue continuar alto, você precisará de medicamentos para obter um bom controle


Melhore o seu colesterol: Níveis elevados de colesterol LDL (“ruim”) estão associados a um aumento do risco de demência. Dieta, exercícios, controle de peso e evitar o tabaco contribuem muito para melhorar seus níveis de colesterol. Mas se precisar de mais ajuda, pergunte ao seu médico sobre medicamentos.

Por isso, se você perceber em você ou em pessoas próximas (sobretudo acima de 55 anos), que a sua memória já não se mostra tão eficiente e estas falhas começam a atrapalhar o seu cotidiano é importante procurar uma neurologista e ou um geriatra.

Fontes:
*(Ageing Without Dementia: can stimulation psychosocial and lifestyle experience make a difference? Fratiglioni et al, Lance Neurology 2020; 19:533-43).
**(Dementia prevention, intervention, and care: 2020 report of the Lancet Commission, Lancet 2020; 396: 413–46)

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