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	<title>GORDURA AGRAVA COVID-19 &#8211; SAÚDE NA CAPITAL</title>
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	<description>SUA FONTE DE INFORMAÇÃO SEGURA SOBRE SAÚDE</description>
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	<title>GORDURA AGRAVA COVID-19 &#8211; SAÚDE NA CAPITAL</title>
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		<title>Grupo da USP investiga se células de gordura são a fonte dos fatores inflamatórios que agravam a COVID-19</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Nov 2020 09:39:49 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[GORDURA AGRAVA COVID-19]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Há cada vez mais evidências de que o tecido adiposo desempenha um papel-chave no agravamento da COVID-19. Uma das teorias em investigação é a de que os adipócitos servem como reservatório para o SARS-CoV-2, contribuindo para aumentar a carga viral de indivíduos obesos ou com sobrepeso. Além disso, os cientistas desconfiam que, durante a infecção, &#8230;</p>
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<p>Há cada vez mais evidências de que o tecido adiposo desempenha um papel-chave no agravamento da COVID-19. Uma das teorias em investigação é a de que os adipócitos servem como reservatório para o SARS-CoV-2, contribuindo para aumentar a carga viral de indivíduos obesos ou com sobrepeso. Além disso, os cientistas desconfiam que, durante a infecção, as células de gordura liberam na corrente sanguínea substâncias que amplificam a reação inflamatória desencadeada pelo vírus no organismo.</p>



<p>Essas hipóteses estão sendo investigadas por pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP), sob a coordenação da professora do Departamento de Cirurgia&nbsp;<strong><a href="https://bv.fapesp.br/pt/pesquisador/5631/marilia-cerqueira-leite-seelaender/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Marilia Cerqueira Leite Seelaender</a></strong>. O projeto conta com a colaboração de Peter Ratcliffe, professor da Universidade de Oxford, no Reino Unido, e um dos premiados com o Nobel de Medicina em 2019.</p>



<p>“Já foi demonstrado que no organismo de pacientes com COVID-19 ocorre uma tempestade de citocinas que resulta em inflamação sistêmica similar à sepse. Nós acreditamos que esses fatores inflamatórios estão vindo do tecido adiposo. Já foi demonstrado que os adipócitos quando se expandem demasiadamente tornam-se capazes de promover inflamação no corpo todo, até mesmo no cérebro”, afirma Seelaender à&nbsp;<strong>Agência FAPESP</strong>.</p>



<p>O grupo da FM-USP tem analisado amostras de tecido adiposo de pessoas que morreram de COVID-19, obtidas durante autópsia, e também de pacientes infectados com o SARS-CoV-2 que precisaram ser submetidos a cirurgias de emergência (sem relação com a infecção, por exemplo, casos de apendicite) no Hospital Universitário da USP.</p>



<p>Resultados preliminares confirmam que o novo coronavírus pode ser encontrado no interior da célula de gordura, cuja membrana externa é rica em ACE2 (enzima conversora de angiotensina 2, na sigla em inglês). Essa proteína é a principal “porta” usada pelo SARS-CoV-2 para invadir as células humanas. O que ainda falta ser confirmado é se, além de entrar no adipócito, o novo coronavírus consegue permanecer e se replicar dentro da célula.</p>



<p>“Uma coisa interessante de ressaltar é que o adipócito visceral [que compõe a gordura que se acumula entre os órgãos] tem muito mais ACE2 que o do tecido adiposo subcutâneo. Além disso, é muito mais inflamatório. Portanto, a obesidade visceral tende a ser ainda mais prejudicial no que diz respeito à COVID-19”, explica a pesquisadora.</p>



<p>Os primeiros achados do trabalho revelam ainda que no tecido adiposo de pessoas infectadas há mudança no padrão de secreção de exossomos – pequenas vesículas que a célula libera na circulação e que podem conter moléculas sinalizadoras de diversos tipos. Esse é um dos mecanismos que permitem a troca de informações entre diferentes tecidos, visando adaptar o corpo a eventuais mudanças no ambiente.</p>



<p>Um dos objetivos da pesquisa conduzida na FM-USP é confirmar se a infecção pelo SARS-CoV-2 faz os adipócitos liberarem mais exossomos contendo fatores inflamatórios. As análises já feitas revelaram que há um aumento no número de vesículas liberadas na circulação. Agora, os pesquisadores pretendem fazer a caracterização do conteúdo dessas vesículas – tanto as circulantes quanto as encontradas dentro das células. Além disso, pretendem investigar as vias de inflamação supostamente ativadas por essas moléculas.</p>



<p>“Partimos do pressuposto de que, à&nbsp;medida que a pessoa engorda, o tecido adiposo se torna hipóxico, ou seja, fica com menos oxigênio disponível. A hipóxia em si é causa de inflamação. Portanto, uma das coisas que pretendemos investigar é se a COVID-19 causa hipóxia nos adipócitos”, conta Seelaender.</p>



<p>As estratégias de adaptação das células humanas a situações de hipóxia foram&nbsp;o tema da pesquisa que rendeu o Nobel a Ratcliffe e também a William G. Kaelin (Universidade Harvard) e Gregg Semenza (Johns Hopkins School of Medicine).</p>



<p>Atualmente, o pesquisador britânico tem se concentrado em estudar, com amostras obtidas por autópsia, o efeito do SARS-CoV-2 no corpo carotídeo – um conjunto de células existente dentro da carótida e que funciona como um sensor de oxigênio. Ao perceber queda na oxigenação sanguínea, o corpo carotídeo ativa respostas para aumentar a frequência cardíaca e respiratória.</p>



<p>Ratcliffe acredita que o vírus infecta o corpo carotídeo e atrapalha seu funcionamento, o que explicaria por que muitos pacientes com COVID-19 demoram para perceber que estão com insuficiência respiratória – processo que ficou conhecido como hipóxia silenciosa.</p>



<p>Já o grupo da FM-USP tem se concentrado em entender o efeito da infecção no tecido adiposo. “Estamos analisando tudo que está sendo secretado pelas células de gordura: proteínas, ácidos graxos saturados, prostaglandinas [um tipo de lipídeo com ação similar à&nbsp;de hormônios], microRNAs [pequenas moléculas que não codificam proteínas mas têm ação reguladora sobre a expressão de genes] e exossomos”, diz a pesquisadora.</p>



<p>Na avaliação de Seelaender, é possível que os fatores inflamatórios liberados pelo tecido adiposo de pacientes com a COVID-19 sejam os causadores dos danos já descritos em coração, pulmão e sistema nervoso de pacientes.</p>



<p>“Postulamos que ocorre no obeso com COVID-19 um processo semelhante ao que já observamos no tecido adiposo de pacientes com caquexia [perda severa e rápida de peso e de massa muscular associada a doenças como Aids, insuficiência cardíaca e câncer]. Os adipócitos do indivíduo caquético liberam mais exossomos e o conteúdo dessas vesículas está alterado, com um perfil pró-inflamatório. Sabemos que tanto na caquexia como na obesidade&nbsp;há inflamação. O que muda é o tipo de mediador inflamatório liberado e as vias de sinalização ativadas”, explica.</p>



<p>A pesquisa sobre a relação entre caquexia e inflamação tem sido conduzida desde 2013, com&nbsp;<strong><a href="https://bv.fapesp.br/pt/auxilios/81525/inflamacao-sistemica-em-pacientes-com-caquexia-associada-ao-cancer-mecanismos-e-estrategias-terapeu/?q=12/50079-0" target="_blank" rel="noreferrer noopener">apoio</a></strong>&nbsp;da FAPESP (<em>leia mais em:&nbsp;<strong><a href="https://agencia.fapesp.br/31630" target="_blank" rel="noreferrer noopener">agencia.fapesp.br/31630</a></strong>)</em>.</p>



<p><strong>Opostos, mas semelhantes</strong></p>



<p>Em um artigo&nbsp;<strong><a href="https://academic.oup.com/advances/advance-article/doi/10.1093/advances/nmaa125/5911598?rss=1" target="_blank" rel="noreferrer noopener">publicado</a></strong>&nbsp;na revista&nbsp;<em>Advances in Nutrition</em>, o grupo de Seelaender discute como o estado nutricional do paciente pode influenciar a resposta à COVID-19. Segundo os autores, tanto a obesidade quanto a desnutrição – e nesta última condição se inserem a caquexia e a sarcopenia (perda de massa magra associada ao processo de envelhecimento) – podem comprometer a resposta imunológica e dificultar o combate a infecções virais.</p>



<p>“As células imunes têm a demanda de energia aumentada durante processos infecciosos, principalmente aqueles que demoram a ser debelados. Ocorre uma mudança no metabolismo dessas células para que consigam se multiplicar rapidamente, mas no organismo desnutrido isso não é possível. Durante uma infecção, o número de linfócitos T de um indivíduo desnutrido é bem menor que o de uma pessoa eutrófica [bem nutrida]”, conta.</p>



<p>Ainda segundo Seelaender, no organismo desnutrido ocorre atrofia dos órgãos linfoides, responsáveis pela produção e amadurecimento dos linfócitos. Consequentemente, há queda no número de células de defesa circulantes. Experimentos com animais também mostraram que o organismo desnutrido leva mais tempo para eliminar o vírus – seja ele qual for.</p>



<p>“A taxa de gordura pode ser um problema quando é excessiva ou insuficiente. Embora pareça paradoxal, os dois extremos são prejudiciais. Isso porque o tecido adiposo secreta um hormônio chamado leptina, que regula o metabolismo dos linfócitos T. Quando se tem gordura de menos, há baixa sinalização de leptina. Quando se tem gordura demais, as células tornam-se menos sensíveis à leptina, que passa a ser liberada em grandes quantidades”, diz a pesquisadora.</p>



<p>O envelhecimento, por sua vez, afeta vários dos fatores mencionados por Seelaender. O sistema imune torna-se menos responsivo. Há diminuição de massa magra, aumento da adiposidade visceral e piora na proporção entre massa magra e gorda.</p>



<p>“A perda de massa magra pode piorar o desfecho de doenças crônicas e agudas em idosos. O músculo é um reservatório de substrato energético [aminoácidos]&nbsp;que pode ser mobilizado em momento de necessidade, como durante uma infecção”, diz. “Por isso é importante ressaltar que, na COVID-19, não só a adiposidade é um fator problemático, mas também a relação entre massa magra e gorda. Se o indivíduo tiver muita gordura e pouco músculo é pior do que se tiver muita gordura, mas uma boa condição muscular.”</p>



<p><strong>FONTE:</strong> Agência FAPESP</p>



<p>O artigo <em>Coronavirus Disease 2019 (COVID-19) and Nutritional Status: The Missing Link?</em> pode ser lido em <strong><a href="https://academic.oup.com/advances/advance-article/doi/10.1093/advances/nmaa125/5911598?rss=1" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://academic.oup.com/advances/advance-article/doi/10.1093/advances/nmaa125/5911598?rss=1</a></strong>.</p>
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