Tem diverticulite? Saiba mais sobre o que você (não) deve comer

Baseie a sua alimentação em alimentos in natura ou minimamente processados, aposte nas fibras e beba mais água.

Você já ouviu falar na diverticulite? O nome parece estranho, mas essa doença pode estar cada vez mais ligada ao estilo de vida moderno. Isso porque, além dos fatores genéticos, os hábitos alimentares ruins aumentam as chances do surgimento dessa doença, conforme afirma o médico Sérgio Lima, Coordenador do Serviço de Coloproctologia do Hospital Universitário João De Barros Barreto, ligado a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH).

Em entrevista ao Saúde Brasil, ele explica alguns pontos sobre a doença e como é possível evitar que ela apareça. Mas antes de falar sobre tratamento e prevenção, vamos explicar o que são os divertículos e a diverticulite.

Afinal, o que são os divertículos? Todo mundo tem?

Tudo começa com o surgimento dos divertículos, que são pequenas bolsas que podem aparecer em qualquer parte do tubo digestivo, sendo mais comum no intestino grosso, também conhecido como cólon. Como o próprio nome sugere, diverticulite nada mais é que a inflamação de um dos divertículos.

Mas o médico lembra que nem todo mundo tem essas pequenas bolsas no intestino grosso. Elas podem se desenvolver ao longo do tempo, tendo uma prevalência de 30% aos 60 anos e 65% ou mais aos 80 anos.

Como identificar a diverticulite?

Segundo Sérgio Lima, a maioria dos pacientes apresentam dor abdominal, especialmente no canto inferior esquerdo. Sentir dor ao apertar o abdome também é um sinal de algo não vai bem. Outros sintomas comuns da doença são febre e diarreia.

Em caso de suspeita da doença, o exame indicado para o diagnóstico é a tomografia de abdome, afirma o médico. E ele alerta que, em situação de crise, a colonoscopia deve ser evitada, pois pode agravar o quadro inflamatório.

Como o estilo de vida pode influenciar a diverticulite?

Nas últimas décadas, o Brasil passou por diversas mudanças políticas, econômicas, sociais e culturais que evidenciaram transformações no modo de vida da população. Nesse contexto, o setor saúde tem importante papel na promoção da alimentação adequada e saudável, compromisso expresso na Política Nacional de Alimentação e Nutrição e na Política Nacional de Promoção da Saúde.

Existem três fatores que podem ser associados ao surgimento dos divertículos e, consequentemente, da diverticulite: a predisposição genética, idade e os hábitos alimentares. Segundo Sérgio Lima, a ingestão de água e alimentos ricos em fibras, além da prática de atividade física, podem evitar o surgimento da doença. Vale ressaltar que a obesidade pode favorecer as complicações da diverticulite. 

Guia Alimentar para a População Brasileira é um documento oficial que aborda os princípios e as recomendações de uma alimentação adequada e saudável, configurando-se como instrumento de apoio às ações de educação alimentar e nutricional no Sistema Único de Saúde (SUS) e também em outros setores.

O que você não deve comer?

Alguns estudos mostram um risco aumentado de desenvolvimento da doença diverticular associado à dieta rica em carne vermelha e gordura, conforme afirma o médico Sérgio Lima.

Ele explica ainda que beber pouca água e comer alimentos com pouca fibra provoca a constipação intestinal, causando o aumento da pressão no interior do cólon, o que força a mucosa da região e contribui para a formação dos divertículos.

Alimentos como legumes, verduras e frutas são excelentes fontes de fibras, vitaminas, minerais e de vários compostos que contribuem para a prevenção de muitas doenças. Os ultraprocessados, como biscoitos recheados, salgadinhos “de pacote”, refrigerantes e macarrão “instantâneo”, são nutricionalmente desbalanceados e podem ser muito pobres em fibras.

Por conta de sua formulação e apresentação, eles tendem a ser consumidos em excesso. Já a falta de fibras decorre da ausência ou da presença limitada de alimentos in natura ou minimamente processados nesses produtos.

Além disso, alguns medicamentos como os anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), que é caso do paracetamol, podem provocar a diverticulite, segundo o médico.

Por que consumir fibras é importante?

A inclusão de fibras na dieta tem impacto positivo na normalização das concentrações de lipídeos sanguíneos, redução dos níveis glicêmicos, aumento do bolo fecal e melhoria do trânsito intestinal. Efeitos que evitariam a formação dos divertículos, explica o médico.

Xô, intestino preso 

A publicação explica ainda que as fibras insolúveis (não solúveis em água) aumentam a capacidade de retenção de água do material não digerido e, por isso, ocorre o aumento do volume fecal e a diminuição do tempo do trânsito intestinal, aumentando a frequência das evacuações.

Fontes de fibra insolúvel: grãos (feijão, grão de bico, soja, lentilha), cereais integrais (arroz, centeio, trigo e farelos), vegetais e talos de vegetais (brócolis, couve-flor), verduras folhosas, cascas e bagaços de frutas.

Qual o tratamento para a diverticulite?

O tratamento é clínico em casos mais leves, combinando medicamentos e dieta, conforme explica o médico. Em casos mais intensos e graves, pode ser preciso internar o paciente e até mesmo realizar uma intervenção cirúrgica.

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