Deficiência intelectual aumenta em 6% risco de morrer por Covid-19

Estudo analisou dados de 64 milhões de pessoas nos EUA e constatou que, após a idade, esse é o segundo principal fator de risco para desenvolver a forma grave da infecção

Dentre os diversos fatores de risco para desenvolver um quadro grave de Covid-19 — e morrer por isso — está a deficiência intelectual. É o que aponta um estudo publicado na última sexta-feira (5) no periódico New England Journal of Medicine (NEJM) Catalyst, conduzido por pesquisadores da rede de hospitais Jefferson Health, nos Estados Unidos.

O levantamento feito no país é significativo: foi analisado o histórico médico de 64 milhões de pacientes, atendidos em 547 centros de saúde entre janeiro de 2019 e novembro de 2020. O objetivo era entender o impacto da pandemia de Covid-19 em pessoas com algum tipo de déficit cognitivo.

Os resultados são preocupantes. Esses indivíduos são 2,5 vezes mais propensos a ser infectados pelo novo coronavírus. Eles também demonstraram ter uma probabilidade 2,7 vezes maior de ser internados pela doença. E ainda tiveram um risco 5,9% maior de morrer pela infecção comparados à população geral. “As chances de morrer de Covid-19 são maiores para pessoas com deficiência intelectual do que para aquelas com insuficiência cardíaca congestiva, doença renal ou pulmonar”, adverte o médico Jonathan Gleason, líder do estudo, em nota.

Na análise dos autores, pessoas com esse tipo de deficiência podem ter menor capacidade de cumprir medidas que reduzem a exposição ao vírus, como usar máscara corretamente e manter o distanciamento social. Também se observou que esses pacientes têm maior tendência a apresentar comorbidades que contribuam para o agravamento da infecção pelo Sars-CoV-2.

“Eu acredito que esses pacientes e seus cuidadores devem ser priorizados para vacinação e serviços de saúde”, comenta Gleason. “Devemos refletir sobre por que falhamos nessa população vulnerável e como podemos atendê-la melhor durante esta crise de saúde e no futuro.”

Além de ser prioridade nos grupos a receberem a vacina, os pesquisadores sugerem que as instituições federais e estaduais dos EUA avaliem o acesso, a qualidade e a segurança das condições de saúde dessas pessoas a fim de encontrar oportunidades de melhorias. “Os Estados Unidos deveriam redesenhar o modelo de atenção aos indivíduos com deficiência intelectual”, orienta o pesquisador.

Para a pediatra Wendy Ross, coautora do artigo, a falha em atender esses pacientes é “de partir o coração”. “Eu acredito que se pudermos projetar um sistema que seja seguro e acessível para pessoas com deficiência intelectual, isso irá beneficiar a todos nós.”

FONTE: REVISTA GALILEU

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